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Após depoimento de Xuxa, sobe nº de denúncias sobre abuso sexual

Só este ano, em todo o Estado de Pernambuco, o Disque-Denúncia recebeu 316 ligações com informações de casos de abuso sexual. Desse total, 61 ligações foram registradas no Agreste

Por Thomás Alves

Ultimamente, o tema abuso sexual tem sido bastante comentado. A repercussão ficou maior depois do depoimento da apresentadora Xuxa Meneghel, ao Fantástico, que surpreendeu muitos brasileiros. As declarações dela podem ter tido um outro resultado, além da repercussão na mídia: o número de queixas ao Disque-Denúncia sobre o assunto aumentou.

Segundo Carmela, acréscimo foi de 46%

Só este ano, em todo o Estado de Pernambuco, o Disque-Denúncia recebeu 316 ligações com informações de casos de abuso sexual. Desse total, 61 ligações foram registradas no Agreste. “Nós percebemos um aumento de 46% no número de informações acerca do crime. Isso aconteceu, de fato, depois do depoimento da apresentadora Xuxa. Acredito que, com o exemplo dela, as pessoas decidiram buscar ajuda”, frisou Carmela Galindo, superintendente do Disque-Denúncia.

No depoimento, a apresentadora relatou que os abusos eram causados por pessoas da convivência. “Isso também acontece em 63% dos casos registrados no Disque-Denúncia. Por isso, a denúncia anônima é a principal forma para se combater esses casos. As pessoas que tiverem convívio com as  crianças devem perceber comportamento diferente. Se elas desconfiarem ou tiverem certeza devem ligar”.

O número da instituição é (81) 3421-9595 – para capital e Região Metropolitana. Já para o Agreste, o número é (81) 3719-4545.

Como notar um possível abuso

O assunto é polêmico de uma forma geral, mas, muitas vezes, silencioso. É que na maioria dos casos não se é denunciado. E um turbilhão psicológico pode passar na cabeça de uma criança, que pode ser um dos motivos para que o abuso sexual exista  às sombras, impedindo que os responsáveis pela vítima tomem alguma atitude. É preciso ficar atento a alguns sinais, que podem ser bem discretos.

“A percepção do abuso não é algo tão evidente, nem tão simples assim. De um modo geral podemos dizer que qualquer mudança brusca do comportamento da criança deve ser algo a ser analisado. Enquanto pais ou enquanto professores, é importante que nós acompanhemos essas crianças ou esses adolescentes”, explica Patrícia Lira, doutora em psicologia.

Ainda segundo Patrícia, não é incomum jogos sexuais durante a infância. “É normal que a gente acompanhe crianças que, vez ou outra, brincam com essa temática. A criança não é desprovida de sexualidade. Mas, quando essas brincadeiras começam a ser exacerbadas pode ser um sinal de possível abuso. A masturbação excessiva durante esse período também não é normal. Outro possível sinal de abuso é a dificuldade de controlar a urina e as fezes”.

A doutora em psicologia participou de uma entrevista durante o ABTV 1ª edição desta quinta-feira (31). Assista ao vídeo acima.


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